Na primeira edição da Comic Con Experience eu me inscrevi e fui rejeitado. Isso foi em 2014. Ninguém dos quadrinistas na época tinha certeza se o evento seria bom para quem faz quadrinhos ou se seria apenas um espaço amontoado de artistas e abandonado pelo público. Nossos medos foram reduzidos ao pó porque o evento foi um grande sucesso tanto para os organizadores quanto os artistas e iniciou uma parceria que se estende até hoje.
Enquanto escrevo este texto, muita gente ainda está remoendo não ter sido selecionado para o evento desta vez. As regras de dupla mudaram e muitos que tinham o costume de ir juntos fora separados, entrando um e o outro não. A verdade é que não é o fim do mundo. Eu mesmo fui rejeitado em todos os anos desde 2014. Em 2016 rolou uma repescagem e eu entrei na segunda chamada. E agora finalmente em 2018 consegui mesa de primeira. Mas meu parceiro de trabalho, Vinícius Gressana, não. O que prejudica os nossos planos originais, porque agora precisei me ajuntar com outro artista.
Agora falo com a voz da experiência. Se a pessoa é muito nova no mundo de fazer e vender quadrinhos, entrar de primeira na CCXP é bem ruim. Primeiro porque não se tem experiência com atendimento de público nem organização de caixa, que é o mínimo do mínimo para participar. Segundo porque se no ano seguinte não for selecionado, vai achar que o mundo desabou, que seu trabalho é horrível, que fez alguma coisa errada, ou seja, que piorou de um ano para o outro. Eu sei porque eu senti isso em 2017, mesmo tendo sido chamado por repescagem no ano anterior. Por isso sempre digo que o ideal é ir em feiras e eventos menores para ir se acostumando com o fluxo de pessoas, com ficar sentado horas e horas, com ficar organizando e reorganizando a mesa, com deixar um kit de montagem de mesa sempre separado para o próximo evento e todos as outras coisas dessa vida de artista independente que só o tempo vai ensinar.
Uma boa analogia é o mercado financeiro. Um bom investidor não coloca todo seu dinheiro em ações de apenas uma empresa, ele faz uma diversificação de investimentos para que, se algum não der o rendimento previsto, ainda tem os outros para segurar a onda. O quadrinista independente não pode apostar todas as suas fichas na CCXP. Cada vez mais a seleção para o Artists’ Alley vai virando um vestibular com altíssima concorrência, porque aparecem mais artistas, mas a quantidade de mesas ainda é a mesma.
Há dezenas de outros excelentes eventos pelo Brasil que são menos competitivos e mais fáceis de participar do Artists’ Alley. Este ano, por exemplo, terá ou teve os seguintes eventos:
- FIQ em Belo Horizonte
- Bienal de Quadrinhos em Curitiba
- Feira Dente de Brasília
- Anime Recife em Recife
- SANA em Fortaleza
- Animacon em Natal
- AnimeXtreme em Porto Alegre
- Campinas Anime Fest / Mega CAF em Campinas
- Jundiaí Anime Fest em Jundiaí
- Ribeirão Preto Anime Fest em Ribeirão Preto
- Lima Anime Fest em Limeira
- ComicCON RS em Canoas
- HQ Fest em Indaiatuba
- Geek & Game no Rio de Janeiro
- Festival Guia dos Quadrinhos em São Paulo
- Anime Friends em São Paulo
- World Pop Festival em São Paulo
- Feira Plana em São Paulo
- Isso pra citar alguns…
Então não fique triste. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!
Até semana que vem!
PS: Já leu o texto anterior? Aqui o link!
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